Muçulmano, prefeito de NY revoga políticas contra antissemitismo no 1º dia de gestão
- 05/01/2026

O Ministério das Relações Exteriores de Israel criticou com veemência as primeiras medidas do novo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, acusando-o de “alimentar o antissemitismo”.
A polêmica começou já no primeiro dia de gestão de Mamdani, quando o prefeito assinou um decreto que anulou todas as ordens executivas de seu antecessor, Eric Adams.
Entre as medidas revogadas estavam aquelas que adotavam a definição de antissemitismo da International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA) e restringiam iniciativas de boicote e desinvestimento contra Israel no âmbito da administração municipal.
A IHRA é uma organização intergovernamental de 35 países que promove a educação sobre o Holocausto.
Ódio antijudaico
A declaração do Ministério das Relações Exteriores israelense nas redes sociais foi contundente: “Isso não é liderança. É gasolina antissemita em um incêndio aberto”, afirmando que descartar a definição internacionalmente reconhecida de antissemitismo e suspender restrições a boicotes contra Israel sinaliza um enfraquecimento das salvaguardas contra o ódio antijudaico.
Segundo o governo israelense, as políticas vigentes até a chegada de Mamdani ao poder municipal ajudavam a combater a hostilidade contra judeus.
De acordo com Israel, essas políticas também tinham como objetivo proteger a comunidade judaica na maior cidade dos EUA.
Preocupações e reações
A decisão do prefeito gerou preocupação e forte reação diplomática, evidenciando tensões sobre segurança e combate ao preconceito.
Mamdani, que já enfrentou acusações de antissemitismo por apoiar o movimento anti-Israel, afirmou a repórteres na sexta-feira (02) que pretende financiar iniciativas para prevenir crimes de ódio.
Ele garantiu que a proteção da comunidade judaica de Nova York será uma prioridade de sua gestão, mesmo após a revogação das políticas anteriores.
Em uma declaração conjunta pouco comum, sete organizações judaicas da região de Nova York – entre elas a UJA-Federation, o Conselho de Relações da Comunidade Judaica, a Liga Antidifamação (Nova York/Nova Jersey), o Comitê Judaico Americano, o Conselho de Rabinos, a Agudath Israel da América e a União Ortodoxa – criticaram a decisão de Mamdani de revogar as diretrizes da IHRA e as restrições a boicotes.
O Conselho de Relações Americano-Islâmicas, junto a outros grupos, sustenta que a definição da IHRA tem sido utilizada para restringir vozes que defendem os direitos dos palestinos.
'Medida define tom do governo'
A organização pró-Israel StandWithUs criticou duramente a decisão de Mamdani e pediu que ele a revertesse, afirmando que “as decisões tomadas no primeiro dia definem o tom de um governo”.
“A definição da IHRA reflete como a grande maioria dos judeus vivencia o antissemitismo hoje e é amplamente utilizada para identificar e combater esse ódio em todo o mundo. Quer o prefeito goste ou não, é um fato que demonizar o único Estado judeu do mundo, discriminá-lo e negar seu direito de existir são todas formas de intolerância contra os judeus.”
O Conselho Israelense-Americano manifestou preocupação com a decisão de Mamdani, alertando que ela “tornará os esforços da cidade para combater o antissemitismo subjetivos, inconsistentes e, em última análise, ineficazes”.
“A promessa do prefeito de preservar o Gabinete de Combate ao Antissemitismo de Nova York, ao mesmo tempo em que revoga a definição na qual esse gabinete se baseia, é um gesto vazio”, dizia um comunicado da IAC.
Em seguida, a IAC perguntou a Mamdani, na declaração, se ele planeja readotar a definição da IHRA “ou continuar com o ato performático de alegar oposição ao antissemitismo enquanto elimina as ferramentas para combatê-lo”.
Enquanto o governo israelense segue criticando duramente as ações do novo prefeito, o desdobramento político e social dessa disputa pode ter impacto tanto nas relações bilaterais quanto nas políticas internas de combate ao ódio em uma das cidades mais diversificadas do mundo, afirma a Fox News.


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